Need for Speed Payback começou empolgante mas deixou um gosto amargo
Depois de 59 horas jogadas e com a Platina conquistada (54 troféus), minha experiência com Need for Speed Payback foi mista! Daquelas que você começa empolgado, mas vai se desgastando conforme o tempo passa.
De início, o jogo consegue chamar atenção pela customização, que é, sem dúvidas, um dos pontos mais legais. Modificar carros, mudar visuais, ajustar detalhes estéticos e ver o veículo tomando forma é algo prazeroso, principalmente para quem gosta da identidade da franquia. Outro acerto interessante é o sistema de carros para restaurar, que traz uma sensação de progressão diferente: encontrar um carro “abandonado”, investir nele e transformá-lo em algo competitivo é satisfatório e dá aquele gostinho de conquista.
As categorias de corrida também ajudam a manter uma certa variedade. Separar as provas em Corrida, Drift, Arrancada, Off-Road e Fuga dá um ritmo diferente para o gameplay e impede que tudo pareça exatamente igual o tempo todo. Além disso, para quem gosta de desafios de longo prazo, o jogo tem algo que muita gente valoriza: troféu de platina, o que naturalmente incentiva a explorar tudo que o jogo oferece.
O problema é que, conforme as horas avançam, começam a aparecer falhas difíceis de ignorar, e a mais gritante delas é o balanceamento absurdo dos carros. Simplesmente não importa a força, a categoria ou o prestígio do veículo: você pode literalmente zerar o jogo inteiro com um Fusca, enfrentando e vencendo qualquer carro do jogo. Isso quebra completamente a sensação de progressão e destrói a lógica de estar pilotando supermáquinas. O fato de ser possível deixar um Fusca com 399 de potência e ganhar de qualquer puto, tira toda a identidade dos carros e faz com que eles pareçam apenas “skins” diferentes.
A história também não ajuda, pois ela é extremamente esquecível, genérica e sem impacto real. Não existe um envolvimento emocional com os personagens, nem momentos marcantes que fiquem na memória depois que os créditos sobem. Está ali apenas para justificar as corridas, sem brilho algum.
Outro ponto bem problemático é a questão dos colecionáveis. Muitos deles precisam ser descobertos “no escuro” ou então você é incentivado a pagar para que eles apareçam no mapa (e aqui entra o uso de dinheiro real, algo que soa extremamente desnecessário e invasivo para um jogo desse porte).
Falando da platina, há decisões bem questionáveis. O jogo exige troféu online, o que sempre é um risco, principalmente com servidores que podem ser desativados no futuro. Além disso, alguns troféus exigem grind excessivo, tornando certas partes cansativas e repetitivas, quebrando o ritmo e a diversão.
Mas talvez o maior problema do jogo esteja no famigerado sistema de peças. Ele é confuso, mal integrado e frustrante. As peças não funcionam de forma inteligente entre categorias de carros, ficando presas individualmente a cada veículo. Isso significa que, se você troca de carro, muitas vezes precisa começar praticamente do zero. Em vários momentos, o jogo te obriga a repetir corridas várias vezes apenas para conseguir peças aleatórias e aumentar a potência do carro. Quando não é isso, você fica refém da loja, que só reabastece as peças a cada 10 minutos, te forçando a esperar ou simplesmente desligar o jogo, algo completamente anti-fluxo.
No fim das contas, Need for Speed Payback é um jogo que tem boas ideias, mas execução problemática. Ele diverte no começo, agrada visualmente, oferece opções legais de customização e variedade de provas, mas tropeça feio no balanceamento, no sistema de progressão e na falta de identidade dos carros. Platinar o jogo é totalmente possível, mas exige paciência para lidar com grind, sistemas mal pensados e decisões que mais atrapalham do que ajudam.
É aquele típico jogo que poderia ser muito melhor se algumas escolhas de design tivessem sido mais bem pensadas…porque potencial, claramente, ele tinha.